GIAIA

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Grupo Independente de Avaliação do Impacto Ambiental

O Grupo Independente de Avaliação do Impacto Ambiental (GIAIA) é um coletivo científico-cidadão que se organizou pela internet para executar uma análise colaborativa dos impactos ambientais resultantes do rompimento da barragem de rejeitos do Fundão, localizada em Mariana (MG) e de responsabilidade da Samarco Mineração S.A. (uma joint-venture entre a Vale S.A. e a anglo-australiana BHP Billiton).

Historia[editar]

O grupo formou-se em meio a uma polêmica: as primeiras informações veiculadas sobre a toxicidade dos rejeitos carreados para os rios da bacia do Rio Doce eram conflitantes. Além disso, a postura das instituições públicas foi, em um primeiro momento, tímida. A partir disso, consolidou-se a idéia de criarmos um grupo autônomo de pesquisadores para realização de uma avaliação, independente de influências financeiras e políticas, dos impactos ambientais decorrentes do acidente. Além da avaliação independente, ampla e interdisciplinar, baseada nos princípios da ética e do rigor científico, o projeto pretende, também, criar uma plataforma científica-cidadã de conhecimento aberto, livre e participativo (giaia.eco.br).

Objetivo[editar]

O objetivo do GIAIA é produzir estudos dedicados à caracterização, documentação e quantificação de danos causados pelo rompimento da barragem supracitada, colocando à disposição da sociedade, de forma clara e transparente, informações científicas que possam:

  1. Servir de subsídios para processos judiciais;
  2. Auxiliar na valoração dos impactos ambientais;
  3. Auxiliar na definição de medidas de recuperação, mitigação e compensação ambiental;
  4. Contribuir com o debate e aprimoramento dos processos de avaliação de impacto ambiental e de projetos (licenciamento ambiental).

Valores e princípios[editar]

Ciência independente, Ciência transparente, Ciência cidadã.

O GIAIA acredita que o processo de geração de informação científica deve ser transparente e os seus resultados devem ser disponibilizados livremente para a sociedade. Da mesma forma, defende a total transparência do processo de elaboração de estudos de impacto ambiental, assim como o livre acesso aos dados e análises gerados por esses estudos.

O envolvimento da comunidade nas atividades científicas que estão sendo desenvolvidas pelo GIAIA é de fundamental importância para ampliar a coleta de dados, assim como para disseminar e valorizar o conhecimento científico, empoderar o cidadão, estimular o pensamento crítico e fortalecer outros atores da sociedade para o processo de discussão e tomada de decisão relativa ao desastre socioambiental do Rio Doce.

Grupos de trabalho[editar]

Grupos de trabalho operacionais[editar]

  • Coordenação geral
  • Tradução

Grupos de trabalho temáticos[editar]

  • Águas e Comunidades Aquáticas
  • Análises Geoquímicas e Toxicológicas (em consolidação)
  • Base cartográfica (em consolidação)
  • Bioinformática (em consolidação)
  • Dimensões Humanas e Questões Ambientais Associadas
  • Flora
  • Herpetologia (em consolidação)
  • Ictiofauna (em consolidação)
  • Invertebrados terrestres
  • Mastozoologia (em consolidação)
  • Microbiologia (em consolidação)
  • Ornitologia
  • Documentação sobre o Licenciamento Ambiental

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Relatórios do GIAIA[editar]

[2]

Contribuir com o GIAIA[editar]

Coleta de amostras em campo[editar]

Amostras de água, amostras de sedimentos, coleta de dados sobre a fauna/flora e outros.

O primeiro passo é fazer seu cadastramento no formulário de voluntários.

Abaixo encontram-se os protocolos de coleta de amostras:

Protocolo para coleta de água para análise de qualidade[editar]

Use tubos plásticos. As amostras não podem ter nenhum contato com metais. Colete pelo menos 10 ml de água. Registre as coordenadas do ponto com um GPS. Pode ser usado um GPS de celular. Caso tenha dificuldade de acessar o GPS do celular, copie a tela do celular com o Google Maps/Earth aberto e com o GPS ligado assim que o ponto azul na tela estiver no local correto. Caso não consiga registrar o local com um GPS, anote muito bem a localização, por exemplo, margem direita do Rio Doce, em baixo da ponte tal. Não esqueça de tirar muitas fotos das coletas e dos arredores e nos enviar![3]

Protocolo para coleta de amostras para as análises dos microorganismos do solo[editar]

Amostras para estudos de metagenômica.

As amostras podem ser simples ou compostas. Uma amostra composta são 20 amostras simples coletadas ao acaso em zigue-zague, que são reunidas e homogeneizadas. Retirar a serrapilheira, se houver, e coletar na profundidade de 0-20 cm. Marcar o local de coleta com GPS. Armazenar em geladeira a 4 graus.[4]

Protocolo para coleta de tecidos para análise isotópica[editar]

  • Em animais vivos, preferência por tecidos pouco invasivos, como unhas/garras, pelos, penas, pele e sangue.
  • Em animais mortos, preferência por mais de um tecido, que representem diferentes períodos de assimilação isotópica, com tecidos rápidos (como sangue e fígado), tecidos lentos (como músculo) e tecidos inertes (como pelos, garras e penas).
  • Tecidos de animais em decomposição devem ser evitados.
  • Na coleta se atentar para coletar apenas o tecido de interesse, separadamente de outros tecidos, para evitar contaminações de um por outro.
  • Os tecidos devem ser acondicionados individualmente, em freezer, evitando contato com qualquer tipo de conservante, como álcool ou formol.
  • É desejável que o tecido seja retirado da mesma região em todos os animais do mesmo grupo (como por exemplo, penas da cauda das aves, ou então, pelos do dorso de mamíferos).
  • É de grande interesse que essas amostras possam ser associadas a uma data, além dos dados biométricos, sexo e localização dos indivíduos (atribuição de códigos).

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Protocolo para coleta das amostras de ecotoxicidade[editar]

Protocolo rápido e simples de amostragem de águas e sedimentos para análises químicas e ecotoxicológicas.

ÁGUAS
Deve-se usar equipamentos de proteção pessoal individual (EPI) para evitar o contato direto com as águas, tanto por causa dos contaminantes químicos quanto devido ao fato de haver grande número de animais mortos arrastados.

A coleta da água pode ser feita na superfície, usando um balde plástico, ou pela introdução direta do frasco (preferencialmente de material plástico) na água do rio. Cada frasco deve ser preenchido até a boca. Em seguida, deve ser fechado, identificado e armazenado em isopor. Posteriormente as amostras devem ser mantidas a aproximadamente 4ºC (resfriadas) em geladeira ou caixas de isopor com gelo.

Para toxicidade, 200ml é suficiente. Para permitir a análise química, uma segunda réplica pode ser coletada.

SEDIMENTOS
Da mesma forma, os sedimentos podem ser coletados utilizando-se pás plásticas, sendo transferidos para frascos ou sacos plásticos. Idealmente 1kg de sedimento por ponto é suficiente. Como o material está vindo misturado como uma onda (i.e., desestruturado), sugerimos a coleta do sedimento de superfície, depositado nas margens do rio. Caso alguém disponha de barco, pode alternativamente utilizar amostradores específicos para coletar no leito (pegadores de fundo, corers cilíndricos ou retangulares, etc).

Para as amostras da região estuarina/mar, foi solicitado um volume maior (amostras adicionais de 1kg) por pesquisadores do IOUSP. As amostras devem ser armazenadas em caixas de isopor com gelo, mantidas resfriadas em refrigerador, a 4 ºC, (ou no isopor com gelo).

O envio das amostras de água e sedimento deve ser feito em caixas de isopor com gelo.

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Compilação de Informações e Dados Publicados[editar]

Relatórios, estudo de impacto ambiental, revisão de literatura científica e atividades relacionadas.

Caso você queira contribuir analisando e compilando informações de documentos já publicados, ou nos auxiliar nas avaliações dos estudos de impacto ambiental e outros documentos oficiais, por favor, acesse a página grupos de trabalho, e selecione o grupo onde quiser se inserir.

Mande um e-mail para o coordenador do grupo que irá lhe integrar na equipe. Não esqueça de realizar seu cadastro nesse formulário, para que possamos organizar todas as contribuições e maximizar nossas ações!

Se você quiser auxiliar realizando revisões da literatura científica, ou trabalhar com análises de modelagem de distribuição de espécies, ou mapeamentos para a região, acesse esta página e escolha o grupo no qual quer contribuir.

Qualquer dúvida, basta enviar um e-mail para giaia.riodoce@gmail.com com o assunto “Apoio: Compilação de informações e dados publicados“.<refCompilação de Informações e Dados Publicados</ref>

Análise em Laboratório[editar]

Qualidade da água, poluentes, metais pesados, ecotoxicidade, isótopos e outros.

Caso você tenha acesso a um laboratório que pode ser nosso parceiro e realizar análises de qualidade da água, sedimentos, metais pesados, ecotoxicidade, análises isotópicas, ou qualquer outra análise laboratorial que você julgue importante para avaliarmos os impactos ambientais na região, entre em contato com a gente através do email giaia.riodoce@gmail.com com o assunto “Apoio: Laboratório“.[7]

Ver também[editar]

Links externos[editar]

Referencias[editar]

GIAIA: www.giaia.eco.br